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Ir. São José Nunes

  
Parte para o Pai a última das primeiras Irmãs da Província Portuguesa, a Irmã Maria de São José Nunes. Tinha 97 anos, 77 dos quais vividos na Congregação.Passou apenas por cinco Comunidades: Casa da Infância, Coimbra; Seminário de Aveiro; Colégio de Nossa Senhora de Lourdes, Porto; Lar Amor de Deus, Chaves e, por fim, Fátima, onde vivia desde 1998. Todos estes lugares ficaram marcados pela sua intensa, ainda que franzina figura.Raiz profunda e tronco forte, tinha esta videira, que agora lança os braços para além de si própria, noutra vinha, nos braços do Pai.Da Espiritualidade Congregacional, a Irmã São José priorizou a SIMPLICIDADE e o TRABALHO. No que respeita à simplicidade, qualquer pessoa que com ela viveu terá dificuldade em lhe descobrir pertences, que lhe não fossem estritamente essenciais. Não era pessoa de exibições. Sempre discreta, desempenhando tarefas discretas, aproveitando o tempo ao minuto, em trabalhos comunitários. Na vida da Irmã São José tudo urgia. E foi assim até ao final. Fez trabalhos de mão, mesmo sem ver, até poucos dias antes de nos dizer adeus. Sentia uma grande alegria em dar o seu contributo através de pequenos trabalhos manuais, cuja venda revertia para a campanha missionária ou para outros fins da Província.Era uma mulher inteligente e de temperamento firme. Guardadora de palavras que só distribuía a propósito e a quem considerava digno destinatário. Os seus conselhos eram pérolas de sabedoria polidas pela experiência. Não falava muito, e ainda assim, punha em questão o que dizia. Como mulher sábia, as suas frases eram quase sempre rematadas com: “Nosso Senhor é que sabe.” O muito viver concedeu-lhe uma sensatez admirável. Há pouco mais de um mês dizia a uma Irmã constituída em autoridade: “Ó Madre, olhe que a caridade tem de ser bem utilizada.”Das suas mãos, quando não pendia o trabalho, pendia o Rosário. Como tudo, na vida da Irmã são José, até a purificação foi conquistada a pulso. A noção, compreensível, da aproximação do fim, fez nascer nela a oração contínua. E, qual “Peregrino Russo”, com frases muito simples, em voz baixa, mas que se podiam escutar, dirigia-se constantemente ao Pai, a Jesus, a Maria e às almas do Purgatório. A ela se pode aplicar a parábola do homem que foi, de noite, pedir pães ao amigo para servir outros amigos que tinham chegado de viagem. Ainda que se não tenha levantado por ser seu amigo, segundo as palavras do próprio Senhor, devido à sua insistência, ter-se-á levantado e dado tudo o que pedia. Se nenhum coração de Pai resiste às súplicas dum filho, muito menos o Pai do Céu resistiria às súplicas desta Irmã, desta mulher. Súplicas tão pungidas, tão sinceras, tão perseverantes, tão sofridas.A mulher forte e decidida, que conhecemos no Porto ou em Chaves, quando na força da vida, manteve-se constante. Três dias antes de se apagar para o mundo de cá, numa breve passagem pelo hospital, dizia aos médicos: “deixem-me ir para casa, deixem-me ir preparar.”Vibrava muito com tudo o que é vida congregacional e, ultimamente com a construção da nova Residência. Sabíamos que tinha muito gosto em a estriar. Não aconteceu, o Pai quis oferecer-lhe uma morada muito melhor, uma morada permanente e, segundo a frase que lhe era típica: “Nosso Senhor é que sabe.”Irmã São José, que nos escutas já com um sorriso bem-aventurado, continua com essa tua santa garra, junto do Pai e nunca desistas de Lhe pedir que nos dê sabedoria, fortaleza, perseverança e muita, muita fidelidade ao seu querer.Ah! E ainda um pedido muito especial: dá muitas saudações nossas a todas as Irmãs que encontraste no Céu e, juntas, pedi a Jesus e a Maria que nos enviem muitas jovens que queiram acolher, viver e testemunhar o Amor de Deus.

Até breve, Irmã São José.                                         

Fátima, 20 de Outubro de 2011