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Crónicas - I Encontro internacional de leigos AD

“A semente do Evangelho: tão fecunda em santidade como em sabedoria!”

11 de Setembro de 2010

Chegou o dia tão esperado por todos, com a presença entusiasta dos grupos de leigos convocados para este histórico I Encontro de Leigos “Amor de Deus”. No átrio do salão de actos, as saudações sucediam-se entre beijos, sorrisos, abraços; e as mãos que uma e outra vez se apertavam, eram o símbolo garante de um terreno fértil e o presságio de uma boa sementeira.
Do átrio passámos ao salão de actos, onde foi entregue a cada um dos participantes uma mochila com os as materiais a utilizar durante os dias do encontro. Já instalados, fomos cordialmente saudados pela Irmã Maria Luísa que sublinhou a natureza do evento, não se tratando duma reunião de alto nível, nem dum congresso, mas sim dum Encontro com um matiz mais simples, mais fraterno, mais família “Amor de Deus” bem junto do Padre Usera.
Fomos agraciados com uma apresentação em Power Point que nos ajudou a reflectir sobre a espiritualidade, o amor, a liberdade, a sensibilidade, a fidelidade, o bem e a verdade, que são os traços característicos da filosofia do Padre Usera. Traços esses que permanecem, hoje, e são vividos quotidianamente, dos quais somos testemunhas todos os que nos comprometemos em dar continuidade a esta missão, não só preservando o seu legado, como também enriquecê-lo e projectá-lo até às gerações presentes e futuras. As Irmãs do Amor de Deus, através do padre Usera, e os leigos, temos um compromisso com a história e um encontro especial com Deus Amor por intermédio do Padre Usera que vive e se manifesta nos nossos corações. Entoaram-se alguns cânticos alusivos e, seguidamente, rezámos a Avé Maria em espanhol e português.
Concluída a alegre e acolhedora saudação da Irmã Luísa, esta cedeu a palavra à Superiora Geral da Congregação das Irmãs do Amor de Deus, Irmã Margarida Martins da Silva, que expressou o seu regozijo por ver leigos, de tão distintos lugares, irmanados por uma causa comum: o Venerável Padre Usera; renovou uma fraterna saudação com palavras de alento, esperança e boas expectativas quanto aos trabalhos que decorreriam ao longo de tão relevante Encontro.
Logo de seguida, todos foram agraciados com o grupo musical Almazara, composto por Juan Francisco Gutiérrez, Ricardo Nieto, Isaac Martínez, Antonio Alba, Maribel del Val y Gemma del Val, membros activos que se têm destacado pela sua participação e apoio junto da Congregação, sendo Maribel e Gemma ex alunas dum Colégio Amor de Deus. Foi uma intervenção musical que teve o toque mágico de alegrar os corações e animar o ambiente, através duma criteriosa selecção de canções e do entusiasmo contagiante de todos os elementos do grupo. No fim da sua actuação receberam um significativo presente em reconhecimento pela sua presença.
Finalizado este concerto, todos foram convidados para o jantar. 
GRAÇAS PELO PRIVILÉGIO DE PARTICIPAR EM TÃO HISTÓRICO ENCONTRO INTERNACIONAL DE LEIGOS E PELA OPORTUNIDADE DE CONHECER IRMÃS “AMOR DE DEUS” DE OUTRAS PROVÍNCIAS.

ATTE. Maráa Eugenia Beltráno Plaza
Colegio Jerónimo Mariano Usera y Alarcón
México, Distrito Federal.


12 de Setembro de 2010

O dia começou com uma oração, muito bela e emotiva, preparada pela Província do Oeste, durante a qual se foram colocando, espaçadamente, velas acesas, como que a simbolizar o desejo de que essa Luz nos iluminasse. Que melhor forma de iniciarmos um intenso dia de trabalho!
Antes das conferências reservadas para essa manhã, foram-nos lidas as afectuosas saudações enviadas pelo grupo Verbi, de Cádis, e pela Província da América do Sul.
1ª CONFERÊNCIA
“A vocação laical da Igreja na sociedade” confiada a D. Manuel Huertas, sacerdote, teólogo e Director do Centro de Formação Religioso-Teológica.
Iniciou a sua intervenção com a definição de “leigo”, porfiando que todo o baptizado também leva em si a condição de sacerdote, devendo ter consciência da sua natureza de discípulo.
Numa magnífica exposição, apresentou-nos a mudança no modelo de sacerdócio que aparece destacado no chamado “tríptico de Lucas”: uma primeira anunciação a Zacarias, em que o Anjo aparece a um homem, um sacerdote que se encontra dentro do templo, a anunciar a vinda de um profeta ascético, próprio do Antigo Testamento. O receptor da mensagem duvida, e manifesta quão vãs são as acções desprovidas de Fé. Segue-se como oposição a Anunciação a Maria, uma mulher do povo, no interior da sua casa e não no templo; uma mulher que acredita e aceita sem reservas, revelando com isso o ponto de inflexão entre os dois modelos de sacerdócio, o antigo e o novo. Quando Maria visita Isabel encontramos a mais viva representação do novo sacerdote que sai ao encontro do antigo; este ao reconhecê-lo “salta de alegria”.
Concluímos que é conveniente rever um modelo excessivamente hierarquizado de relação com Deus assumindo o papel de Igreja, no que se refere a leigos e a sacerdotes, reconhecendo sinceramente uma diferenciação - não uma sujeição – de funções e responsabilidades.
2ª CONFERÊNCIA
“A vocação laical na Igreja e na sociedade” confiada a Werner Friesse que estudou Teologia, Línguas e literaturas Romanas (principalmente o Francês e o Espanhol) na Alemanha e em França.
Recordou-nos, com a sua interessante apresentação, a mudança drástica que o Concílio Vaticano II apresentou relativamente ao papel dos leigos na Igreja.
Com efeito, desde o início da história do cristianismo, que os leigos tomaram consciência do seu papel central como Povo de Deus e destinatários da sua Mensagem.
Contudo, como nos referiu através de numerosos exemplos históricos, a evolução da Igreja foi, durante não poucos séculos, confiando aos leigos um papel meramente passivo, cuja função, numa expressão gráfica e muito significativa, se reduz ao “amén” e ao “bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo”, esquecendo-se das claríssimas palavras de S. Paulo sobre a igualdade, perante Deus, de homens e mulheres, livres e escravos. Finalmente, no Concílio Vaticano II a Igreja assume esta igualdade quanto à dignidade de todos os baptizados, chamando os leigos a ocupar o lugar de “sujeitos activos” e não “passivos” dentro da comunidade cristã.
Após o almoço, em clima fraterno, recomeçámos os trabalhos com a apresentação dos diversos grupos participantes no encontro.
Em primeiro lugar, a Associação Jerónimo Usera (AJU) de Cascais, Portugal, que a partir do seu lema “renovar o mundo pelo amor” nos esclareceu pormenorizadamente quem são e como levam à prática a mensagem useriana, através de numerosas actividades sociais.
Utilizando montagens audiovisuais recordaram-nos a beleza e a vitalidade dos grandes povos afastados no espaço e próximos no coração, México e Chile, cujos representantes também estavam presentes no encontro.
Depois dum breve descanso, reunimo-nos por pequenos grupos de diálogo e debate sobre as conferências ocorridas de manhã e respectivas conclusões.
As respostas foram diversas mas incidiram na necessidade duma tomada de consciência e, consequente compromisso laical, na Igreja e na sociedade.
Como breve resumo destas conclusões, o grupo “Alegria” sublinhou que o compromisso laical é uma forma de vida totalmente entregue, necessitando por isso duma adaptação à sociedade actual, a partir da referência cristã.
Quanto ao grupo “Solidariedade”, registou que o movimento de leigos é distinto em cada parte do mundo, nomeadamente na América, pois a escassez de sacerdotes pode ocasionar uma intervenção necessariamente maior dos leigos. E, concluem com a reflexão sobre a necessidade de anunciar o Evangelho, ainda que para isso, seja fundamental renovar as actuais estruturas.
O grupo “Amor” deteve-se na presença da marca evangélica e useriana em numerosos âmbitos (marginalizados, idosos…). Assim, concluíram que, como seguidores da mensagem de Jerónimo Usera, deviam definir um conjunto de características coincidentes com os próprios nomes dos grupos já existentes: alegria, solidariedade, amor, gratuidade, contemplação, acolhimento, trabalho, simplicidade e formação, aos quais de deve também acrescentar as atitudes de entrega, lealdade e confiança na providência Divina.
Relativamente ao grupo “Gratuidade”, este deu ênfase ao compromisso de vida que supõe o movimento de leigos, à importância da formação e à preparação para o serviço. Concordou com as diferenças de missão segundo a zona do mundo onde estão inseridos, mas dentro da universalidade do projecto “Amor de Deus”.
Das conclusões do grupo “Contemplação”, muito heterogéneo, destacou-se a inevitabilidade da fé em Cristo e o compromisso de O seguir. O leigo, para este grupo, é “o prolongamento de Cristo no seu ambiente” e a sua missão deve centrar-se numa dádiva aos outros, em atitude activa e contemplativa e ao lado das Irmãs da congregação.
O grupo intitulado “acolhimento” quis sublinhar que, embora todos tivessem um conceito pessoal do que é o movimento de leigos, seria muito importante dispor de umas bases de estrutura, orientação e formação para a consolidação do movimento.
Quanto ao grupo “formação” recordou que faz falta assumir um compromisso para “aprender e transmitir - envolver-se”. E, que também todas as pessoas, a partir das suas respectivas identidades e capacidades, têm sempre algo com que contribuir para o movimento de leigos.
Seguidamente, o grupo “trabalho” manifestou a importância do serviço à comunidade, aos outros, sendo necessário em determinadas circunstâncias, “anunciar e denunciar” para construir uma nova Igreja e trabalhar gratuitamente com a clara consciência de que todos constituem a Igreja e nela têm o seu lugar.
O grupo “simplicidade” respondeu à questão trabalhada em conjunto: “Que significa ser leigo”? É uma nova forma de estar no mundo, um “próximo do próximo”. Destacaram uma certa reserva em se afirmarem como cristãos perante o mundo sendo necessário, por isso, “sair ao encontro” ao estilo do padre Usera, com coerência e qualidade, transmitindo aos outros o que vive na fé: é pelo exemplo e, não só pela palavra, que a mensagem se torna perceptível à sociedade.
Após as conclusões do trabalho de grupos, a Irmã Mercedes apresentou-nos uma síntese relativa ao significado do laicado, a partir dos seguintes pontos:
• Opção pessoal por Jesus Cristo;
• Dimensão comunitária do grupo laical;
• Dimensão social: o leigo faz parte do mundo;
• Dimensão carismática do leigo “Amor de Deus”, com identidade própria distinta de outros grupos de leigos.
Após uma pausa, os oradores que intervieram de manhã responderam a algumas das questões colocadas nos grupos de trabalho: Qual a razão de existirem diferenças tão significativas, na Igreja, sobre a função do leigo? O que pensa do assunto o actual Papa, Bento XVI? E, acabaram por concluir que qualquer resposta às questões tem um ponto comum: cada leigo tem o seu lugar na Igreja e, chegou o tempo de ocupá-lo com responsabilidade.
MESA REDONDA
Movimentos de leigos de outras congregações.
O nosso moderador Alberto Fernández, abriu a mesa redonda recordando-nos a carta de S. Ireneu de Lyon a Marciano, que pedia o “intercâmbio permanente de experiências proveitosas”, um maravilhoso pórtico para escutar como outros grupos de leigos ligados a diversos carismas cristãos estão a caminhar, tendo já como base uma referência de caminhada dos nossos grupos.
Em primeiro lugar, intervieram os representantes das Fraternidades Maristas, Diego e Maria esclarecendo o seu funcionamento independente da própria congregação, como membros da grande família Marista integrada pelos seus quatro pilares fundamentais: a companhia de Maria, as Filhas de Maria Imaculada, as comunidades Maristas de leigos e o instituto secular Alianza Marial, todos eles dentro do carisma transmitido por Guilherme José Chaminade. As fraternidades trabalham a partir dos princípios de igualdade, independência e colaboração. Falou-nos também do “livro da vida”, documento de identidade, apresentando-nos os seus objectivos, meios e linhas de actuação interna em cada grupo, onde trabalham a capacidade de adaptação face à variedade de pessoas e aprofundam o sentido de pertença ao grande grupo e não só a cada pequena comunidade.
O “Movimento Assunção Juntos”, representado por Maria Teresa e Cristina recordou-nos as suas origens: a tomada de consciência da existência de numerosos leigos “ligados” à congregação e seguindo o carisma de Sta. Maria Eugénia Milleret.  Decidiu-se que cada grupo ficasse vinculado a uma comunidade, o que originou a criação do movimento “Assunção Juntos”, com a realização de trabalhos de formação bíblica e teológica para aprofundar o carisma. Apresentaram-nos o “Caminho de vida” como documento de referência, base para o compromisso de seguir uma vida de oração e de fraternidade. Concluíram a sua intervenção com esta frase: Encontrei o meu lugar na Igreja, o espaço onde viver a Fé”.
Seguidamente, Ângelo e Artur, em representação do “movimento de leigos Claretianos”, explicaram-nos as suas origens americanas e a sua actual caminhada. Desde o início que S. António Maria Claret fundou um grupo de leigos, antes da própria congregação. O movimento, segundo as luzes do próprio carisma, orienta-se pelos valores da “Família, da missão, da vida interior e do amor a Maria”, adoptando um compromisso, não só espiritual, mas também social. A missão é partilhada em comunidade. O movimento é constituído por diversos grupos e não por uma única organização comum. São grupos independentes da congregação, embora receba dela orientação. Recordaram-nos também que o aparecimento do papel próprio do leigo, já em muitas partes do mundo, supõe assumir um compromisso muito intenso, quando não mesmo um risco, acabando por dar uma visão universal do “que significa ser Igreja”.
O “movimento leigo concepcionista” apresentou-nos através de Maria de Jesus e António a experiência vital de cada um deles como pais de família, onde se concentra a vocação de todo o cristão à santidade. Os grupos que integram este movimento bebem do carisma recebido do Espírito através da Beata Maria do Carmo Sallés, que orienta a sua missão para uma educação preventiva e libertadora. Contêm os rasgos próprios da espiritualidade mariana: beleza, simplicidade, com uma base Cristocêntrica e evangélica a exigir uma projecção até aos outros.
Esclareceram-nos de que os grupos integrantes do movimento de diversos tipos, “orantes” e “activos”, estão vinculados à congregação que designa um “acompanhante”. Apresentam o seu próprio “Modelo de vida” e exigem a necessidade de terem formação. Assumem como valores já consolidados pelo grupo, a identidade com o carisma concepcionista e o sentido de Igreja viva.
Após um diversificado número de perguntas, reunimo-nos novamente em oração para finalizar um dia tão intenso, emotivo e enriquecedor para todos.

Carlos Parrilla


13 de Setembro de 2010

Este dia teve uma agenda muito forte devido aos tempos programados, aos valiosos trabalhos apresentados por cada província e aos respectivos conteúdos, interessantes e de grande espiritualidade, pois abordaram frases, acções notáveis e passagens da vida do P. Usera, assim como aspectos relevantes da sua obra.
Deu-se início aos trabalhos com uma conferência intitulada “JERÓNIMO USERA, UMA VIDA E UM CARISMA AO SERVIÇO DA IGREJA” por D. Manuel Rey, leigo e antigo aluno do Colégio de Puntales, Cádis, que com grande destreza e conhecimento histórico abordou o tema para delícia de todos os que o escutaram.
Podíamos fazer um breve resumo da biografia de Jerónimo Usera, mas como a conferência nos foi concedida por escrito, esse facto permitiu-nos relê-la.
A exposição possibilitou-nos fazer uma viagem histórica e seguir a rota da vida do P. Usera, que nos deu novas luzes sobre a sua vida e a sua personalidade humanista, pedagógica e evangelizadora. Foi um novo impulso para poder viver, como leigos, o carisma da família “Amor de Deus”.
Seguiu-se uma MESA REDONDA sobre as facetas da Vida do Padre Usera, onde os diferentes grupos expuseram as frases, as acções notáveis ou as facetas da vida de Jerónimo Usera que mais os impressionaram. Essas várias intervenções impulsionam-nos a levar por diante a obra de tão corajoso missionário. Destacamos:
• Alemanha: Fidelidade do Padre Usera à Igreja.
• Associação Padre Usera de Espanha: Especial sensibilidade pelas crianças desfavorecidas.
• Cuba: Coerência entre fé e vida.
• Peru: Promoção da Mulher.
• Portugal: Promoção das pessoas, das famílias. Devoção à Virgem Maria.
• Almeria, Espanha: Pedagogia do Padre Usera (preventiva e social).
• África: Educação, uma prioridade do Padre Usera.
• Bolívia: Personalidade do Padre Usera. Um homem importante, hoje; não é um homem de estereótipos, mas sim de testemunho.
• Chile: Jerónimo Usera – alma de apóstolo e coração de pedagogo. Vocação de missionário.
• Cádis: Um homem de fé que educa as crianças, fazendo-as amar a verdade.
• México: Educar por amor, em amor e para o amor. Ensinar é a nossa forma de amar.
• Burlada, Espanha: Padre Usera, homem com visão de futuro.
Concluindo, podemos afirmar que Jerónimo Usera foi um homem de múltiplas facetas, todas elas fruto do carisma do amor no serviço aos mais necessitados.     

México D.F.


14 de Setembro de 2010

Iniciámos, por volta das 10:00h, com a “identidade dos grupos”; o de Itália e parte do grupo português em primeiro lugar e, por falta de tempo, o grupo de Cuba e o que faltava de Portugal intervieram só depois do lanche.
Celebrámos a Eucaristia na capela com o Padre André, fazendo memória da Festa da Exaltação da Santa Cruz e com a animação do canto em espanhol e português.
Cerca das 11:30h, as Irmãs Mercedes e Amparo abrilhantaram-nos com uma conferência intitulada “O carisma Amor de Deus, identidade na Igreja”, após a qual se seguiu um tempo de descanso aproveitado também para um café e um doce típico de Zamora oferecido pelo grupo dessa zona; voltámos ao grande grupo e, antes do início dos trabalhos fomos presenteados com um “mimo” pelos representantes da Bolívia.
A segunda conferência, “A comunhão no carisma Amor de Deus”, e antes do almoço, esteve a cargo das Irmãs Maria Luísa e Otília. Entretanto, minutos antes do início, foram lidas mensagens de unidade vindas da Alemanha, de Cádis, de Portugal, de Granada, de Estéril e do Noviciado do México.
A conferência foi enriquecida com diversas dinâmicas, nas quais todos participaram em pequenos grupos de trabalho, tendo concluído com uma mensagem da Superiora Geral, Irmã Margarida.
Almoçámos pelas 14:00h e tivemos a oportunidade de, após um tempo de descanso até às 15:50h, tirar uma foto do grupo.
Ao reunirmo-nos, novamente um dos grupos, desta vez os Montanheiros de Madrid, ofereceram a cada participante um presente típico e o nosso trabalho recomeçou com a reflexão em pequenos grupos, seguida de plenário, no grupo grande, para a partilha das sínteses. Após breve pausa para descanso, seguiu-se um painel de experiências com a intervenção dos grupos de Portugal, México e Cuba. Sublinhamos que este último concluiu de uma forma muito original, através duma montagem em que uma foto do Padre Usera falava expressivamente.
Quando nos voltámos a reunir no salão de actos, apresentaram-se as conclusões do encontro, que mereceram um elogio por parte de todos os participantes, principalmente pela rapidez com que foram redigidas.
Informaram-nos, entretanto, que as mesmas seriam oferecidas, no dia seguinte, ao Padre Usera na Cripta da Casa Fundacional.
Após o jantar, prepararam-nos uma surpresa no pátio sob a apresentação e animação de Ana e Ester que, com as suas canções e mímicas nos deliciaram entre cada uma das actuações. E o desfile de criatividade e beleza começou! Em primeiro lugar, Portugal, com o Padre Usera “ao vivo”, disfarçado no meio do grupo. Seguiram-se as danças típicas e respectivos trajes do México, do Chile, da Bolívia e do Peru, para alegria e diversão de todos; no fim de cada actuação, os diferentes grupos presentearam os assistentes com algo típico do seu país.
Enquanto tudo isto se desenrolava, o grupo de Vigo realizou uma queimada; Cádis e Almeria actuaram em simultâneo com a companhia dos grupos de Granada e Bullas, apresentando duas canções significativas: uma alusiva ao Bicentenário do Padre Usera e outra sobre a sua vida e carisma; houve sempre muita participação de todos, com baile e alegria. Entretanto, Cádis repartiu vinho doce, tortas e Almeria amêndoas fritas, caseiras.
No seguimento da apresentação festiva, África recitou-nos uma poesia da autoria de um dos representantes e, ofereceu um “mimo” a cada grupo/país.
A Associação Padre Usera de Madrid encerrou a festa com bailes típicos de Granada, Barcelona e Madrid. As representantes de Caudete, disfarçadas de “Mouros e Cristãos” convidaram os presentes a dançar ao som de uma canção típica que elas iam orientando, que muito alegrou os presentes.
A festa finalizou pelas 24:00h após horas de são e divertido convívio. O grupo que dormia na Casa Provincial de Oeste para lá se dirigiu e, todos os outros que ficavam na Casa Geral retiraram-se cansados, mas felizes.


Visita a Toro, 15 de Setembro de 2010

Situamo-nos no dia 15 de Setembro de 1810, de manhã e em Atocha, onde fomos confrontados com uma agitação muito grande, porque a senhora Usera tinha dado à luz. Aproximámo-nos e eram gémeos, mas quando nos preparávamos para os ver, a máquina do tempo envolveu-nos e transportou-nos até Toro.
Olhámos para o calendário e, surpreendentemente, já tínhamos passado de 1810 a 2010…! E, qual a razão de nos levarem a Toro? Simplesmente, porque o gémeo que nasceu estava predestinado a um grande empreendimento nesta cidade. Nada mais, nada menos do que fundar uma congregação religiosa!
A viagem na máquina do tempo foi rápida e segura; chegámos à Casa Fundacional com calorosos gestos de acolhimento e, depois de todos terem chegado, fomos divididos em três grupos para visitar o museu, a igreja e a cripta onde repousam os restos mortais do Padre Usera. Quando terminou a visita, participámos numa Eucaristia, cujo ponto alto, para além da comunhão, foi a acção de graças: aos pés dos restos do Venerável Fundador cada um depositava uma flor, a simbolizar o seu agradecimento pessoal.
No fim da celebração, desfrutámos dum delicioso almoço, após o qual alguns aproveitaram para passear e outros para permanecer uns momentos na casa e, por volta das 17:00h encontrámo-nos todos à porta da Colegiata, para a visitar.
Esta visita foi guiada pelo pároco, Roberto, que nos proporcionou uma bela explicação histórica, nomeadamente do pórtico, havendo ainda a possibilidade de contemplarmos várias relíquias, bem originais; uma de Santa Teresa e outra de S. Valentim.
Acabada a visita, regressámos à Casa Fundacional para saborearmos um tempo de oração na cripta; foram momentos de grande emoção e profundidade, onde a Superiora Geral nos dedicou umas palavras de agradecimento e, em nome de todos, ofereceu ao Padre Usera, como prenda do seu 200º aniversário, o início da caminhada da Família Carismática “Amor de Deus” que, nesse momento, se punha em caminho. Também nos fez o respectivo envio para essa missão.
Para que ficasse para a posteridade, tirámos uma foto de todo o grupo no pátio. As Irmãs da Casa Fundacional presentearam cada um dos participantes com uma garrafa de vinho de Toro e um chaveiro com o logótipo do Bicentenário. Ao sairmos desta casa, mais uma vez a máquina do tempo nos levou à Casa Geral, em Madrid. Aí, a Superiora Geral agraciou-nos com uma foto de grupo e outros detalhes provenientes dos grupos do Movimento de Leigos “Amor de Deus”. Após o jantar, soou novamente a voz da consciência (Otília): “O autocarro já está ali”, “Vamos, que não espera!”; e, em poucos minutos estávamos no nosso lugar de descanso.

Grupo de Cádiz


Encerramento do Bicentenário no dia 16 de Setembro

No dia 16 de Setembro, último dia do 1.º Encontro Internacional de Leigos Amor de Deus, a jornada em comum teve início com o pequeno-almoço à 9.00h, seguindo-se-lhe a partida para a Rota Useriano de Madrid, tal como constava do Programa. Era um momento ansiado, sobretudo por aqueles que nunca tinham tido a oportunidade e a graça de percorrer pelo seu próprio pé os lugares que viram nascer o Padre Usera e onde viveu, em Família até aos catorze anos e mais tarde, em vários momento e por várias circunstâncias que o Senhor foi fazendo surgir na sua vida de monge missionário.
Divididos em quatro grupos e de “bocadilho” nas mochilas, dirigimo-nos ao metro: Arturo Sória-Góia e Góia-Opera. Aí se deu o encontro com o grupo que pernoitava na Casa Províncial de Oeste.
Para alegria de uns, tristeza de outros e espanto de todos, chovia. Chovia razoavelmente. De tal forma que, mesmo os mais optimistas tiveram que render-se ao oportunismo do chinês que, à boca do Metro, em Ópera, vendia chapéus de chuva quase ao preço da mesma.
Foi em Ópera que os grupos, organizados previamente pelos coordenadores do Encontro, se encaminharam, cada um segundo a ordem que lhe foi dada e por forma a que, visitando, embora os mesmos lugares, tal acontecesse em momentos diferentes, dados sermos muitos.
Cada grupo contava com um guia que, junto a cada lugar explicava com todo o cuidado, paciência e pormenor, aqueles aspectos que considerada importantes para a compreensão do caminho trilhado por Jerónimo Usera nesta bela e imponente cidade de Madrid.
Palácio do Oriente, junto ao qual, embora de longe, se nos indicava a Cúpula da Capela onde foram baptizadosQuir e Yegue, preparados para tal pelo Padre Usera.
Calle Echegaray, onde a 15 de Setembro nasce Mariano e sua irmã gémea, Maria, e de onde, no dia seguintes são levados pelos seus pais, para serem baptizados na Igreja Paroquial de S. Sebastião.
Callhe Huertas, onde, na casa de seu Irmão Vitoriano, tantas vezes terá estado o Padre Usera com a família e onde se pensa que terá escrito a carta a Napoleão III.
Pasadizo de San Ginés, onde os grupos se encontraram e onde gentilmente nos foi oferecido um chocolate com churros. Que maravilha! E como veio a propósito, depois de tanto ter caminhado! Foi aqui que Mariano viveu entre os 5 e os catorze anos, pois para aqui se mudaram os seus pais. O lugar onde nos foi servido o chocolate e os churros era frequentado, normalmente por D. Marcelo, pai do Padre Usera.
Dali se seguiu pela Calle Arenal e se foi visitar a Igreja de San Ginés, paróquia que naturalmente, a família frequentava. Bem bonita a Igreja! Pensa-se ter sido aqui que fez a primeira comunhão e o Crisma. E mais ainda: é bastante provável que tenha celebrado aqui a Missa Nova, depois de ter sido ordenado em Uclés, uma vez que é a mais próxima do centro de Madrid e Mariano diz a seus pais: …”cantarei Misa em la Iglesia más cêntrica de Madrid”.
Convento de las Carboneras. Que emoção! Está o Senhor exposto e, durante uns momentos pudemos rezar nesta Igreja que, segundo o nosso guia, está praticamente igual ao tempo em que o Padre Usera aqui foi ordenado diácono, quando tinha dezassete anos.
Calle de La Flora. Apreciámos o edifício onde o Padre Usera viveu com a sua mãe durante cinco anos, depois da actividade pastoral por terras sanabrezas e quando volta da Guiné, doente, e é tratado carinhosamente por ela. É aqui que esta mãe, que tão bem o soube educar, falece, estando o Padre Usera em Porto Rico. Era o ano de 1857.
Real Sociedade Económica Matritense de Amigos do País, da qual o Padre Usera foi membro e a quem apresenta Quir e Yegue, que alfabetizara.
Muito caminho foi percorrido. Pés muito cansados, mas coração feliz. O grupo quatro, no qual estávamos integrados, parou quase ao final da “Rua dos Poetas”, quando passava já das 13.00h. Como combinado, cada qual elegeu o lugar onde iria almoçar. Uns quiseram vir a casa, outros comeram por Madrid. Alguns dirigiram-se ao Parque Del Retiro, para desfrutar da natureza, outros preferiram o restaurante. Uns aproveitaram para fazer compras outros preferiram descansar.
O próximo ponto de encontro seria a Igreja de San Sebastián, onde, pelas 17.30h teria lugar o Solene Encerramento do Bicentenário do Nascimento do Venerável Padre Jerónimo Mariano Usera e Alarcon, no qual também se integrava o grupo de Leigos Amor de Deus que estiveram presentes no primeiro Encontro Internacional.
À medida que as pessoas foram chegando, a animação e a alegria do encontro era visível em todos os rostos. Mais de trezentas pessoas, de todos os Continentes e de quase todos os lugares onde a Congregação desenvolve a sua missão.
Pelas 17:30h iniciava a Eucaristia. Um momento inesquecível para todos os presentes. Presidida pelo Bispo Auxiliar de Madri, D. Fidel, foi toda ela vivida em clima de emoção e de júbilo, de acção de graças e de louvor. Em vários momentos foi ouvida também a Língua Portuguesa, pois cerca de cinquenta dos participantes eram lusófonos.
O Celebrante destacou, entre outros aspectos a profundidade de vida do Padre Usera, a sua audácia missionária e a sua obra educativa, continuada pelas Religiosas do Amor de Deus, referindo-se também à importância da acção dos leigos nos vários lugares de missão onde o “Amor de Deus” está presente.
No ofertório, de destacar a apresentação dos símbolos: a Cruz, o Escudo e as conclusões do Encontro Internacional de Leigos.
No final, a oferta, por parte do Governo Geral, dum folheto: “Orar com Jerónimo Usera”, para que a grandeza deste homem nos acompanhe e nos desafie a seguir pelo trilho do Evangelho, tal como ele o fez.
Com um cântico dedicado a Maria se encerrou esta celebração, tendo-nos dirigido para a Casa Geral onde estava preparado com o Maior esmero um “Vinho Espanhol”. Enquanto ritmadamente os autocarros iam entrando, os que chegavam eram convidados a entrar no auditório e a visualizar, em vídeo, um eloquente documentário sobre o Padre Usera. Que bela ideia!
Chegados todos, deu-se início ao convívio. Todos se sentiam em casa. O Ambiente era de verdadeira festa. O Governo Geral primou, e tudo decorreu em grande nível. Para Ele um sincero agradecimento.
Durante mais de duas horas, o refeitório e os corredores do Claustro foram palco duma fraternidade palpável, duma alegria bela e harmoniosa, em que o Padre Usera, ainda que invisível, se fazia sentir, pois o amor e a admiração por este homem palpitava em todos os corações e enchia de luz todos os olhos.
Como lembranças simbólicas foram oferecidos a cada conviva uma esferográfica com a inscriçao: ”J. USERA NASCEU PARA FAZER O BEM”. E um porta-chaves com a fotografia e o símbolo do Bicentenário.
Já perto das 22:00h éramos convidados a sair para o pátio do Claustro onde teve lugar um brinde ao Padre Usera, motivado pelo Presidente da APU, D. Manuel. E, mais uma vez, o alegre tilintar das taças de champanhe fazia brotar o riso e as lágrimas, sempre bons vizinhos nas coisas do coração.
Nas despedidas dos que não permaneciam na Casa Geral, percebia-se a certeza de um “até logo”, pois outros momentos virão em que, reunidos à volta do Padre Usera nos voltaremos a encontrar. Alé lá… muitas felicidades!
E,sobretudo… MUITA FIDELIDADE!

Mário Varanda e Ir. Judite Fernandes