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A lógica do amor gratuito

Ao contemplar a sociedade actual,  interrogo-me, com frequência, para onde nos estaremos a dirigir. E isto não por falta de luzes no horizonte, nem por falta de progressos, ou de celeridade nas mudanças, mas por causa do endeusamento que tantas vezes fazemos das nossas conquistas.
É lógico que todos nos orgulhemos do nível civilizacional que atingimos e que, na nossa perspicácia,  ousemos novos futuros,  mas temos que ter consciência de que nem tudo que luze  é ouro e que, embora os filhos deste mundo possam ser mais perspicazes, nem sempre são os mais eficazes.
Quando tudo se focaliza numa lógica de competitividade e de progresso operados a qualquer título, estaremos na senda que leva à realização da genuína vocação do ser humano, chamado a ser filho de Deus e irmão dos seus irmãos?
Se apenas actuamos segundo a lógica da competitividade, arriscamo-nos a cometer actos verdadeiramente insensatos e a construir um pretenso progresso, despido de idoneidade.
“Andemos com o mundo”, mas não nos deixemos levar pelas suas lógicas do sempre mais e em tudo e em primeiro lugar. No íntimo do nosso coração deciframos  uma outra lógica de edificação do mundo. A lógica da graça, do amor gratuito, do serviço, da morte que gera Vida, do permitir que o outro nos comande com suas necessidades.
Aprender a viver desta lógica implica um longo caminho, pois o amor exige aprendizagem mas, como diz Paulo aos cristãos de Éfeso, “a caridade de Cristo ultrapassa todo o conhecimento”. É esta “ultrapassagem” que nos capacita para sermos peritos em humanidade e pode impedir sucumbirmos ao despiste.

Irmã Natália Santos