A História

De todas as obras realizadas pelo Venerável Padre Usera, a mais duradoira e mais fecunda, foi a Congregação das Irmãs do Amor de Deus, porque era como que uma projeção de si mesmo e do seu pensamento.
A Congregação resultou da experiência da sua própria vida pastoral e apostólica nas Antilhas espanholas do Caribe.

O Padre Usera tinha fundado já a Casa de Caridade e Ofícios de Sto. Ildefonso e, para a dirigir, a Associação de Damas da Caridade. Temia, no entanto, que quando faltasse alguma das senhoras leigas, não houvesse quem as substituísse, para além de estar convencido de que “semelhante tipo de ensino só pode ser desempenhado por pessoas cuja profissão não seja outra que exercer a caridade, ensinando as crianças pobres”. Não foi possível levar, naquela altura, como desejava, as Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo a Porto Rico, por isso pediu autorização ao seu bispo, D. Pablo Benigno Carríon de Málaga, para vir à Europa procurar professoras que quisessem dedicar-se a esta obra.

Nesta viagem, o Venerável Servo de Deus, aproveitou para recolher informações, comparando e estudando os melhores métodos de ensino que se conheciam na época. Depois de percorrer quase toda a Península e de se dirigir a vários Institutos religiosos consagrados ao ensino, confessa que não encontrou outro meio, que criar, por si mesmo, uma Associação de Senhoras. Este foi o começo da fundação.

Não se conhecem todos os passos dados pelo Padre Usera para fundar a Congregação. Sabemos que pediu conselho a alguns bispos, como ao Cardeal de Toledo, Fr. Cirilo de Alameda y Brea  e ao Bispo de Zamora, D. Bernardo Conde Y Corral. Contactou igualmente, com alguns fundadores. Os das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, Madre Antónia Maria de Oviedo e Mons. Benito Serra, e a Fundadora das Escravas Adoradoras do Santíssimo Sacramento e da Caridade, Santa Maria Micaela do Santíssimo Sacramento. Nesta encontrou, o Padre Usera, um apoio incomparável, pela ampla colaboração que lhe ofereceu. Porém, o seu principal colaborador, ao que se deve a eleição de Toro para berço da Congregação, foi o bispo de Zamora, D. Bernardo Conde y Corral, seu amigo pessoal. O bispado possuía um antiquíssimo palácio na cidade de Toro que se encontrava em ruínas. Jerónimo Usera pediu-o ao bispo e procedeu à sua reparação para nele fundar um colégio e acolher as primeiras Irmãs. Este colégio destinava-se a instruir gratuitamente as meninas pobres e, por uma módica quantia, as ricas, em todos os ramos ou matérias que compreende a instrução primária completa até as pôr em condições de exercer o Magistério em todas as partes, especialmente nas Antilhas. A formação feminina incluía o governo e orientação duma casa e outros conhecimentos de ordem social e artístico, como música, idiomas, desenho, etc.

O Venerável Padre Usera atribuía às suas Religiosas as seguintes características: ter como “lema” sacrificar-se pelo Santo Amor de Deus; ser generosas e nobres de coração, imitando o divino Mestre que perdoou aos seus inimigos; ter muito espírito de obediência, muita humildade e muitíssima caridade; ser virtuosas e entendidas, pois o Amor de Deus faz Sábios e Santos; procurar em tudo a maior honra e glória de Deus; distribuir o tempo entre a oração, o ensino e o estudo, conservando sempre a presença de Deus e vivendo felizes e contentes.

A fundação da Congregação deu-se a 27 de Abril de 1864 na Igreja das Mercedárias Descalças, em Toro.
Em 1908, o Bispo D. Luís Filipe Ortiz, sob a orientação da Sagrada Congregação para os Institutos religiosos, editou as Constituições, ainda de direito diocesano. Em 1942, a pedido da Superiora Geral, Ir. Maria Clara Fernandéz Lestón de San Francisco, corroborada com as cartas de recomendação dos Ordinários de lugar por onde a Congregação se tinha expandido, o Santo Padre Pio XII, dignou-se louvar, aprovar e confirmar as Constituições ad experimentum por sete anos. Entretanto, passados cinco anos, atendendo ao florescimento da Congregação e das cartas de recomendação dos Ordinários de lugar, o mesmo pontífice aprovou definitivamente as Constituições. Finalmente revistas segundo as normas do Vaticano II, as Constituições foram aprovadas em 1980.

 

Implantação e crescimento da Congregação

Ainda durante a vida do Fundador abriram-se as seguintes comunidades: 1864 - Toro - Casa Mãe - Colégio; 1867 – Cádiz - Colégio; 1871 - Havana (Cuba) - Colégio de Sta. Isabel; 1872 - Guanabacoa (Cuba) - Colégio; 1883 - Santa Clara (Cuba) - Colégio de Sta. Rosalía; 1884 – Zamora - Colégio; 1890 - Vila Seca (Tarragona) - Colégio.

A expansão geográfica da Congregação deve-se a vários fatores: aumento de vocações religiosas nos anos trinta; existência de Irmãs que tornaram realidade o pensamento do Fundador “Dai-me, meu Deus, mais dilatados horizontes, novas terras onde estender o teu reino”; mudanças políticas e sociais em Espanha, que levaram a Congregação a procurar outros países na Europa; o fim da segunda guerra mundial, que originou um grande crescimento na Alemanha e, com ele, um aumento significativo de emigrantes que necessitavam acompanhamento; a Revolução Industrial e a Revolução cubana que obrigou a Congregação a sair de Cuba e a buscar novas terras de expansão.

Em 1932 a Congregação chegou a França: a missão neste país foi variando ao longo dos tempos. Atualmente temos uma única presença de acolhimento a peregrinos, em Lourdes.

Em Julho de 1932, a Madre Geral dirigiu-se a Portugal. Chegada ao Porto pediu licença ao Bispo para se estabelecerem nesta diocese. Este deu-lhes autorização para fundar o tipo de obra que quisessem, desde ensino a beneficência. As Irmãs tomaram então conta da direção dum colégio, na Rua Miguel Bombarda. Passado pouco tempo e porque o espaço se revelou insuficiente para a procura, foi mudado para a Rua do Campo Alegre. Aqui continua em funcionamento até aos dias de hoje. Em Maio de 1933 as Irmãs foram para o Seminário Maior de Coimbra. Havia lá um grupo de jovens que tomavam conta dos serviços domésticos do Seminário e viviam em comunidade apesar de não serem religiosas. Por esta altura, as Irmãs do Amor de Deus foram pedir licença ao Bispo para fundar em Coimbra. O Bispo entregou-lhes então o Seminário e o cuidado dessas jovens que mais tarde se tornaram Irmãs do Amor de Deus. Na continuação, em 1937, o Bispo entrega-lhes a Casa de Retiros de Sto. António, onde a Congregação acolheu o noviciado. Em 1939, a Congregação foi convidada a orientar o Lar de Infância Dr. Elysio de Moura, na mesma diocese.
Entretanto em 1934, as Irmãs tomam a seu cargo o Lar de Sta. Estefânia em Guimarães, que funcionava num edifício que foi um antigo convento de Carmelitas. Nessa obras as Irmãs procuraram dar às meninas uma formação integral para que se pudessem inserir na sociedade o mais positivamente possível, apesar de todas as lacunas e histórias familiares. Em 1942 a Congregação foi chamada a S. João do Estoril, onde se estabeleceu num edifício público, num antigo balneário de umas termas. Inicialmente funcionou como colónia para crianças pobres. Atualmente aí funciona o Pré-escolar e o 1º ciclo do ensino básico. Também por esta época, a Associação Educação Popular de Lisboa pediu a presença da Congregação num dos bairros mais pobres e marginalizados na periferia de Lisboa. As Irmãs deixaram um pequeno asilo, na cidade e foram viver para o Bairro da Liberdade onde se encarregaram da formação religiosa na escola, dum dispensário médico, da cantina escolar e da formação feminina. Durante muitos anos as Irmãs, neste Bairro, levaram a Direção da Escola que abrange crianças desde os quatro meses até ao nono ano do ensino básico. Em 1944 a Congregação toma conta de um Asilo/Hospital no Alandroal, pertencente à Diocese de Évora e dum Lar de Infância em Vila Viçosa. Este acolhe crianças e adolescentes e as Irmãs continuam a missão de educadoras.
Em 1950 as Irmãs fundam um colégio no Monte Estoril. Devido à grande procura e insuficiência de espaço, em 1970 o mesmo colégio é transferido para as atuais instalações em Cascais onde se acolhem alunos desde os três anos de idade até ao 12º ano. Em 1951 as Irmãs assumem um Patronato de crianças pobres em Lamego e em 1953 tomam conta dos serviços de apoio do Seminário de Aveiro. Em Outubro de 1957 a Congregação estabelece-se na Vila de Valpaços, com a finalidade de se dedicar à educação. Enquanto se construíam uns pavilhões para as aulas, as Irmãs viviam e davam aulas em casas particulares. Posteriormente construiu-se um edifício com instalações para aulas e internato, como forma de apoio às crianças do interior que não tinham possibilidade de prosseguir os estudos. Atualmente as Irmãs permanecem nesta terra dedicando-se essencialmente à pastoral. Estivemos ainda presentes na Casa Diocesana do Clero de Leiria-Fátima, em Chaves, Angeja e S. João de Ver, mas por motivos diversos já não estamos nesses lugares. Em 1998 a Congregação abriu a sua sede provincial em Fátima, na Rua S. João de Deus, nº5. Esta casa acolhe também hóspedes, oferecendo estadia a peregrinos que visitam o Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Também nesta casa se realizam encontros vários, reuniões e retiros para Irmãs e Leigos Amor de Deus. Em 2011, em Fátima, na Avenida Beato Nuno, inaugurou as Instalações da Residência sénior Amor de Deus oferecendo serviços e cuidados a idosos e às Irmãs da Congregação.

Atualmente a Congregação está presente em dezoito países: Cabo Verde, Moçambique e Angola, no continente Africano; Chile, Peru, Bolívia, Brasil, México, Porto Rico, República Dominicana, Cuba, Guatemala e Estados Unidos, no continente Americano; Alemanha, Espanha, França, Itália e Portugal, no continente Europeu.

A Província Portuguesa abrange Portugal e Cabo Verde. Em Portugal, a Congregação está presente em nove Comunidades e em Cabo Verde em quatro.